SerTčoBrás e doaćčo de cisternas: algo de doce no Semiárido

por Robin Geld

 

“Essas crises tźm surgido sempre de imprevisto, surpreendendo nčo só os pobres e heróicos habitantes do Nordeste, como também os próprios governantes que nunca souberam aproveitar as épocas de bonanćas para acumular reservas capazes de enfrentar a iminźncia de crises futuras”. Luiz Augusto Vieira, citado por Josué de Castro em Geografia da Fome

 

Chegando pelos ares

De Belo Horizonte até o pouso...

Semiárido: um meio do caminho

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Chegávamos a uma casa simpática rodeada de árvores e vegetaćčo nativa ...

 

C:\Documents and Settings\GUEST\Configuraćões locais\Temporary Internet Files\Content.Word\IMG_0636.jpg Marlene, cozinheira das várias refeićões que viríamos partilhar, apareceu com aquele jeito simpático e firme de muitos da regičo, oferecendo água de coco- em abundČncia, e das mais doces!

“Aqui”, disse Vera, “a laranja, a banana, a manga, as frutas sčo mais doces”.

No jantar e no café da manhč, histórias e informaćões trocadas entre Santiago, gerente, Zé Americo, encarregado, Flávio,  filho de Gabriel, em sua visita administrativa mensal da fazenda, Paulinha sua mulher, Luca, neto de Gabriel, Lian, Robin e claro, quem construiu, viveu e acompanhou a Colonial ao longo de quarenta anos, Gabriel e Vera. No início quando chegaram, ficavam numa das únicas, singelas casas que Vera mostrou...

 

C:\Documents and Settings\GUEST\Configuraćões locais\Temporary Internet Files\Content.Word\umburanas e.jpg E antes do sono delicioso cheio do silźncio do final da seca em noite de lua cheia (e ventiladores e ar condicionado), a explicaćčo simples e fundamental de Flávio:  Aqui é o semiárido, a Mata Seca. Nčo é o Sertčo. Temos o caatingčo, nčo a caatinga. É uma área de transićčo, entre a Mata AtlČntica e a Caatinga.

Semiárido de diversidades

Nas andanćas de manhč até o momento da reuničo, muito foi se vendo e entendendo deste semiárido que cativa com a variedade da vegetaćčo e solos, fazendo lembrar, dizia Vera,  savanas da África, o seco  emaranhado da caatinga, a superfície da lua... Vera e Gabriel iam fazendo pisar, tocar, sentir o que somente quem aprecia os tesouros que ali se encontram, poderiam.

O calor ia aumentando com o subir do sol, a caminhonete levantava poeira pelas estradas arenosas e já perguntávamos, quando virčo, será, as nuvens? E quando algumas despontaram nos céus, há chance de chuva? “Agora em setembro? Antes do final de outubro, muito muito difícil”. Passamos vários riachos secos. Água? Nem sombra. Sombra? Já se entendia um pouco do que Josué de Castro (Geografia da Fome) comenta do exagero compreensível de escritores e cientistas ao descrever as dádivas dos umbuzeiros que nčo só oferecem sombra  como, em suas raízes, água aos que enfrentam a seca. E florescem num prateado belíssimo  para depois dar frutos dos quais, disseram vários da Colonial, se faz suco delicioso!

Víamos, de um lado, a Serra bela pela intocabilidade, de outro, os assentamentos que iríamos conhecer de perto, e meio a tudo, pastagens melhoradas, tratadas, pequenas áreas de pesquisa de leguminosas e capins e os esplendorosos Nelore.

O sol, o calor, irritavam. Água, só de poćo artesiano. Água salobra. “Acostuma, mas muito ruim”, diziam alguns locais. Gabriel contou que ouvira de um médico de renome que tais águas, como em Paris, eram boas para a saúde, especialmente dos idosos. Josué de Castro diz que águas de alto grau de dureza, águas calcárias, “ajudam no abastecimento em cálcio” do corpo. Sobre estas águas ainda ouviríamos muito.

SerTčoBrás em Mandassaia e Tracbel

Ao nos dirigirmos a Mandassaia (nome de abelha silvestre que produz mel) ...

 

 

  Passávamos casinhas semi acabadas, tudo ia parecendo mais árido, desolado, terra dura de trabalhar e muitos murundus...

A reuničo já ia acontecendo...

Após a homenagem, foram passadas informaćões gerais sobre o local das doaćões, e mais específicas das cisternas. O calor era muito, mas bravos guerreiros, Gabriel e Vera acompanharam tudo, atentos.

 

Semiárido das cisternas: benefícios, durezas e graćas

Mandassaia e Tracbel já assentavam 200 famílias, em lotes de 40 hectares cada. Haviam 11 poćos artesianos...

 

Acrescentou um técnico, “Ter a água doce das chuvas não só assegura melhor saúde para as crianças, como leva a uma experiência de solidariedade e civismo que abre portas para o pessoal. E eles têm mais tempo para investir esforços em lavouras”.

 

 

Acompanhados ...

Olegário, mestre de obras, que vinha trabalhando com 15 pedreiros e seus devidos ...

 

 

Cisternas: desejáveis e práticas.

 

Alonso e ...

 

 

  A casinha de Vertudo como muitas outras que veríamos, nčo estava acabada, mas já chamava atenćčo por algum zelo, bem querer da vida, várias plantas adornando a entrada, e assim que chegamos, a mulher, Maria, nos ofereceu cafezinho, bem apreciado. Todos hospitaleiros e atenciosos, o filho também. Tinham algumas modernidades, tv e geladeira, e um poćo, assim como tambor de 50 litros no quintal. Mas Vertudo nčo tinha dúvida: a cisterna que estavam construindo iria melhorar a vida deles. A capacidade grandemente aumentada de armazenagem das águas da chuva, nčo só assegurava água doce e, devidamente tratada, saudável para uso pessoal, como permitia o uso da água do poćo para horta e outros cultivos.

“Tenho a maior satisfaćčo em ajudar na implantaćčo das cisternas, ver a alegria dos beneficiados”, disse. Se para eles a diferenća seria grande, imagine para a família que íamos visitar em seguida. 

Alguns kms a mais... Casinhas de tábua, vasilhames, lixo,,,ntou que a mče ficou viúva quando o pai sofreu acidente fatal ao socorrer homem fazendo um poćo de 30m (o que ela chamou de cisterna)!  A mče...

 

 

“A cisterna é uma benćčo”...,

 

 

 

 

 

Entardecia... fogčozinho a lenha...Com prazer ofereceu dois cachos de bananas para Sr. Gabriel e Dna. Vera. Agradecido do fundo do coraćčo. “Água doce, nčo tem igual”.

Estávamos prontas para chegar em casa, mas já íamos pensando ficar um pouco mais... 

 

 

Saparia toda em festa?

Ficamos sentadas...

E apaziguar ...

Mas algo ...

 

E diante dos duros questionamentos, nada mais convincente do que as respostas sem sombra de dúvida, de todos com quem falamos, de que as cisternas eram solućčo, prática, e das boas. Nčo de combate ąs secas, mas do melhor proveito dos tempos das bonanćas.

 

 

Água de beber nčo se nega, mas nada como água de beber logo no quintal

Tudo confluiu ... As necessidades podiam variar, mas fomos verificando que o que nčo faltava nas famílias com cisternas, era vontade de batalhar, e que o valor das cisternas ia além de armazenamento de água e mais tempo para lavoura familiar.

Neguinho (Almerindo Batista de Lima), Ivanilda e o filho já tinham, há dois anos,  cisterna da Cáritas. Era preciso cuidar muito bem, tinham alguns probleminhas de trincos... mas era bom, muito bom ter a água de beber. “Antes, tinha que carregar água do vizinho. Água de beber ninguém nega, mas ter que pedir e ter que dar, é ruim para os dois”. Tinham alguns bois, galinhas de angola, plantavam o que dava,  mandioca, feijčo, milho, gurutuba. Tinham apoio da Emater, mas precisavam mais recursos, assim mesmo, se era difícil, antes era pior. Ivanilda contou “Neguinho era chapa de caminhčo, ajudante geral. Quando eu ouvi dos assentamentos, eu gosto de roća, vi a oportunidade, agarrei, fui atrás, fomos sorteados em Janaúba. A gente vivia só no terreno dos outros sempre. Roća a gente precisa criar, ter galinha, ovo, plantar. Deus ajudou pra vir pra roća. Prometeram muito mais, era para ser lote cercado, irrigado, casa pronta. A gente ainda puxa água na carroća do poćo lá embaixo, para plantaćčo, é sacrifício, mas com coragem a gente vai”. Disse Neguinho, que investiu em mangueira para puxar água, R$600,00, “A gente faz o que pode, vai tentando melhorar, mas tem dívida que nčo deixa dormir. Tem poćo para abrir mais perto daqui, ai já vai ajudar. A água salobra, para beber, tem gente que fica internada “. E mostrou os danos que os resíduos fazem na tubulaćčo, entupindo. O filho andava alguns kms de bicicleta para chegar ą estrada principal onde passava o ônibus escolar, e deixava com gente boa que cuidava até a volta. “É difícil, só quem tem coragem fica”.

Na casa de Jočo Teófilo ...

 

 

A família de Domercino...contava com cisterna da Cáritas, tinha horta e plantaćčo, coqueiro, e esperavam para poder aumentar a produćčo, a cisterna de               litros, que era possível para quem já tinha a cisterna de água para beber.

 

José Veríssimo de Souza mostrava uma situaćčo mais privilegiada, tinha poćo, mangueira, 4 cavalos, e mostrou com prazer e conhecimento os vários cultivos e plantaćões, Umbu-cajá, palma, fedegoso, Cajá-amanga, chá da Índia, tamarindo, laranjeira, bananeira... e a cisterna da água doce.  

Logo do lado um vizinho que nčo estava, mas o ajudante a mostrar safra de feijčo e cisterna...

 

 

Sede Mandassaia...

 

    

Paramos ainda numa casinha ao longo da estrada em que havia parabólica, mas nenhuma cisterna. Nčo ganhou ainda, mas nčo perdeu esperanća.

 

Ao longe, em algum lugar, chovia. Os arcoiris iam aparecendo.

 

Jacaré Grande e Festa Nossa da Saúde

E quanto ąs cisternas, bem, íamos ouvindo aos poucos, que quem morava na Colonial, também gostaria muito de uma cisterna.  Água doce no quiintal.

As cisternas nos levavam a falar de um local e povo que poucos conhecem, mesmo quando moram do lado, em SP...

Algodčo de seda/ embaré/ umbuzeiro

 

Dados básicos sobre o projeto de cisternas da Sertãobras

Termos e compromissos das cisternas

Contatos dos projetos das cisternas

Cuidados com as cisternas

Relatos de Ademilson Correa

Semiárido e cisternas repercutem em SP

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